Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
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Terapia Comunitária - O que é?
A Terapia Comunitária é um espaço de partilha de vivências onde, através da palavra e da escuta respeitosa, os membros de uma comunidade vão construindo vínculos de apoio e soluções aos seus problemas cotidianos. É participando das conversações na Roda de Terapia Comunitária que se alcança a autonomia e a confiança por meio da ação terapêutica do próprio grupo, que relata e resgata suas histórias e experiências de vida na procura da solução dos conflitos pessoais.
Uma Roda de Terapia Comunitária é um grupo de ajuda mútua e um instrumento que permite construir redes sociais solidárias de promoção de vida e saúde, assim como a mobilização dos recursos e competências dos indivíduos.
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02/01/2010
28/10/2009
As coisas que a gente fala
As coisas que a gente fala
saem da boca da gente
e vão voando, voando,
correndo sempre pra frente.
Entrando pelos ouvidos
de quem estiver presente.
Quando a pessoa presente
É pessoa distraída
Não presta muita atenção.
Então as palavras entram
E saem pelo outro lado
Sem fazer complicação.
Mas ás vezes as palavras
Vão entrando nas cabeças,
Vão dando voltas e voltas,
Fazendo reviravoltas
E vão dando piruetas.
Quando saem pela boca
Saem todas enfeitadas.
Engraçadas, diferentes,
Com palavras penduradas.
Mas depende das pessoas
Que repetem as palavras.
Algumas enfeitam pouco.
Algumas enfeitam muito.
Algumas enfeitam tanto,
Que as palavras - que
Engraçado!
- nem parece as palavras
que entraram pelo outro
lado.
E depois que elas se espalham,
Por mais que a gente procure,
Por mais que a gente recolha,
Sempre fica uma palavra,
Voando como uma folha,
Caindo pelos quintais,
Pousando pelos telhados,
Entrando pelas janelas,
Pendurada nos beirais.
Por isso, quando falamos,
Temos de tomar cuidado.
Que as coisas que a gente fala
Vão voando, vão voando,
E ficam por todo lado.
E até mesmo modificam
O que era nosso recado.
Eu vou contar pra vocês
O que foi que aconteceu,
No dia em que a Gabriela
Quebrou o vaso da mãe dela
E acusou o Filisteu.
- Quem foi que quebrou meu vaso?
Meu vaso de ouro e laquê,
Que eu conquistei no concurso,
No concurso de crochê?
- Quem foi que quebrou seu vaso?
- a Gabriela respondeu
- quem quebrou seu vaso foi...
o vizinho, o Filisteu.
Pronto! Lá vão as palavras!
Vão voando, vão voando...
Entrando pelos ouvidos
De quem estiver passando.
Então entram pelo ouvido
De dona Felicidade:
- o Filisteu? Que bandido!
que irresponsabilidade!
As palavras continuam
A voar pela cidade.
Vão entrando nos ouvidos
De gente de toda idade.
E aquilo que era mentira
Até parece verdade...
Seu Golias, que é vizinho
De dona Felicidade,,
E que é o pai do Filisteu,
Ao ouvir que o filho seu
Cometeu barbaridade,
Fica danado da vida,
Invente logo um castigo,
Sem tamanho, sem medida!
Não tem mais festa!
Não tem mais coca-cola!
Não tem TV!
Não tem jogo de bola!
Trote no telefone?
Nem mais pensar!
Isqueite? Milquicheique??
Vão acabar!
Filisteu, que já sabia
Do que tinha acontecido,
Ficou muito chateado!
Ficou muito aborrecido!
E correu logo pro lado,
Pra casa de Gabriela:
- Que papelão você fez!
Me deixou em mal estado,
Com essa mentira louca
Correndo por todo lado.
Você tem que dar um jeito!
Recolher essa mentira
Que em deixa atrapalhado!
Gabriela era levada,
Mas sabia compreender
As coisas que a gente pode
E as que não pode fazer;
E a confusão que ela armou,
Saiu para resolver.
Gabriela foi andando.
E as mentiras que ela achava
Na sacola ia guardando.
Mas cada vez mais mentiras
O vento ia carregando...
Gabriela encheu sacola,
Bolsa de fecho de mola,
Mala, malinha, maleta.
E quanto mais ia enchendo,
Mais mentiras ia vendo,
Voando, entrando nas casas,
Como se tivessem asas,
Como se fossem - que coisa!
- um milhão de borboletas!
Gabriela então chegou
No começo de uma praça.
E quando olhou para cima
Não achou a menor graça!
Percebeu - calamidade!
- que a mentira que ela disse
cobria toda a cidade!
Gabriela era levada,
Era esperta, era ladina,
Mas, no fundo, Gabriela
Ainda era uma menina.
Quando viu a trapalhada
Que ela conseguiu fazer,
Foi ficando apavorada,
Sentou-se numa calçada,
Botou a boca no mundo,
Num desespero profundo...
Todo mundo em volta dela
Perguntava o que é que havia.
Por que chora Gabriela?
Por que toda esta agonia?
Gabriela olhou pro céu
E renovou a aflição.
E gritou com toda força
Que tinha no seu pulmão:
- Foi mentira!
- Foi mentira!
Com as palavras da menina
Uma nuvem se formou,
Lá no alto, muito escura,
Que logo se desmanchou.
Caiu em forma de chuva
E as mentiras lavou.
Mas mesmo depois do caso
Que eu acabei de contar,
Até hoje Gabriela
Vive sempre a procurar.
De vez em quando ela encontra
Um pedaço de mentira.
Então recolhe depressa,
Antes dela se espalhar.
Porque é como eu lhes dizia.
As coisas que a gente fala
Saem da boca da gente
E vão voando, voando,
Correndo sempre pra frente.
Sejam palavras bonitas
Ou sejam palavras feias;
Sejam mentira ou verdade
Ou sejam verdades meias;
São sempre muito importantes
As coisas que a gente fala.
Aliás, também têm força
As coisas que a gente cala.
Ás vezes, importam mais
Que as coisas que a gente fez...
"Mas isso é uma outra história
que fica pra uma outra vez...29/08/2009
Conversando con Adalberto Barreto
Nosso bom amigo e Terapeuta Comunitário Luiz Fernando Sarmento realizou este vídeo com Adalberto e tal como ele acredita, com a intenção de democratizar informações de qualidade no mundo virtual, gentil e comunitariamente, nos enviou agora para que todos possamos assistir esta entrevista, em três partes.
Abraços comunitários e agradecidos
Os videos tambem podem ser vistos aqui
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13/08/2009
E a Terapia Comunitária continua crescendo!
Agora é a vez do Chile que nos recebera na próxima semana para as primeiras rodas que se realizarão lá.
Selma Hinds e eu estamos arrumando as malas cheias de expectativas rumo a esta nova aventura que pode ser realizada graças ao trabalho de Verónica Virgílio, quem tem coordenado as visitas junto aos hospitais e municípios e tem convidado também pessoas de diferentes áreas da saúde ou da educação para participar das nossas rodas.
Esperamos que o frio que faz neste momento nessas terras não tire o calor das nossas rodas e o povo chileno nos acolha como sempre, como fala a canção: ... y verás cómo quieren en Chile al amigo cuando es forastero.
Então la vamos nós com a TC, cantando e falando agora em castelhano!
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13/07/2009
31/05/2009
Iniciamos a 4ª turma anual de TC do Noos
Uma alegria! Iniciamos a 4ª turma anual de TC do Noos. Um grupo excelente, participativo e extremamente solidário.
Aliás qual é mesmo o perfil de um terapeuta comunitário?
Diante de tantos balanços da vida, de tanto chacoalhar emoções não poderíamos ser diferentes.
Bem vindos vocês que abriram coraçõ esteve entre nós cariocases e torneiras de emoções. Que tão bem mostraram suas pérolas e desnudaram suas feridas.
Obrigada pela confiança, pelas lindas músicas, pela conversa junto à lareira enfim por tantas emoções que vivemos!
Obrigada à Bia, Catalina, Rosana, Sandra, Raquel e ao Adalberto que mais uma vez veio nos ajudar a fazer crescer a rede fluminense de TC. Nós que há 4 anos atrás não tínhamos nenhuma representatividade neste movimento pela inclusão e pela luta por um Brasil socialmente mais justo somos agora uma rede que cresce com lindos nós.
Abraços comunitários,
Selma
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22/05/2009
19/05/2009
coisas que emocionam
Vânia teve a generosidade de compartilhar a sua experiência e fiquei super emocionada. Pedi autorização para colocar no blog pois é muito bom lembrar deste "sagrado" que muitas vezes acontece nas rodas e que nem sempre registramos.
Obrigada Vania.
Bia
"....da terapia na Ilha da Conceição que acontece todas as sextas 13;30 e esta muito legal porque as pessoas já estão fazendo da roda uma referência , essa semana um senhor que sempre frequenta a roda até pediu pra comemorar o aniversário dele na TC ,e sabe o que ele disse ,"Eu nunca comemorei meu aniversário e sabe porque Vânia?E eu disse não. E ele disse, porque nunca tive amigo ,mas esse ano faço 82 anos e quero comemorar aqui na Tc com vocês, porque agora eu tenho amigos, pois foi aqui na TC que os encontrei, agora eu tenho uma família." Ai eu fiquei toda boba e muito feliz em saber que nosso trabalho está dando certo e queria dividir isso com você e com todo o grupo.Hoje já consigo ver frutos da Terapia Comunitária e estou muito feliz."
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16/05/2009
Cecília Meireles
No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta
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10/05/2009
Por que é importante falar?
Quando a gente tenta
De toda maneira
Dele se guardar
Sentimento ilhado
Morto, amordaçado
Volta a incomodar
Esta é a musia preferida da nossa querida amiga Bia para começar a Terapia Comunitária :)
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Neste dia celebramos!
Nós da Terapia Comunitária desejamos a todas as mães, tias, avós e pais que se desempenham como mães, que tenham passado um ótimo dia junto a todos seus filhos, filhas, sobrinhos e sobrinhas, netos e netas e todas as crianças que sejam bem vindas no coração como filhos.
Um grande abraço07/05/2009
24/03/2009
Nasceu!
Hoje é um dia importante para mim. Hoje, faz alguns anos e num outro pais, nasceu minha filha.
Num dia como este, num 24 de março a minha vida mudou totalmente já que havia entrado na minha vida um outro ser do qual eu teria que cuidar e olhar com amor e respeito já que assim tinha chegado no mundo, na confiança que seria amada e acolhida.
Hoje volta a ser um dia importante para mim porque aconteceu um novo nascimento, que assim como minha filha, vem ao mundo na confiança de ser acolhido com amor e cuidado.
Hoje nasceu Conversa, o blog da Terapia Comunitária do Rio de Janeiro!
Conversa – compartilhando e balançando, nasceu para ser o espaço virtual e comunitário das nossas conversações, das nossas inquietudes, do nosso material teórico e didático.
Conversa – compartilhando e balançando, nasceu para que juntos possamos divulgar nosso trabalho comunitário, ampliar nossas redes e compartilhar nossos encontros.
Conversa, assim como a própria Terapia Comunitária, pretende reproduzir, de um modo virtual, um espaço onde possamos falar do nosso cotidiano não só como Terapeutas Comunitários e sim como pessoas inseridas neste belo e enorme Rio de Janeiro.
Ben vindos a Conversa – compartilhando e balançando!
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